Semelhanças e diferenças entre Brasil e China
Reuniões como essa que aconteceu ontem, entre países emergentes, não trazem conclusões imediatas, mas criam movimentos que vão virar coisas concretas. O mais concreto que houve foi feito pelo setor privado: o compromisso chinês em participar do projeto do porto do Açu, de Eike Batista, com 70%.Foram muitas reuniões entre chefes de estado dos Bric, com África do Sul, mas de tudo isso, o mais importante foi o encontro com a China, pelo tamanho que ela tem. Eles assinaram um documento de ação conjunta nos fóruns internacionais. Eu vejo isso com um certo ceticismo, porque em alguns assuntos, temos tudo a ver com a China, mas em outros, somos adversários.
Nossos interesses não são sempre coincidentes, pelo contrário. Quando se discute na OMC, a China tende a querer barreiras ao comércio de produtos agrícolas. Nós, que somos bons exportadores, não topamos. Então, a gente não se parece com a China, que tem um mundo de produtores ineficientes que são protegidos e isso não nos interessa.
A China parece grande comprador de produtos brasileiros, mas são só commodities, como soja e minério de ferro. O Brasil está tentando vender carne de porco para lá, mas eles ficam adiando a inspeção sanitária necessária para que o país seja fornecedor.
Na OMC, a China tem posições bem diferentes das nossas, mais parecidas com as dos Estados Unidos. Em outros casos, coincidimos, como a proposta de reforma da ONU para que haja mais representatividade. Isso é bom, porque a China está no Conselho de Segurança. Um grupo de países ficou mais importante e precisa ser mais representativo no FMI, na ONU. Uma bandeira brasileira que tem todo sentido.
(Miriam Leitão na CBN)


Nenhum comentário:
Postar um comentário